COP30

COP30: a Agricultura brasileira com protagonismo global

A “AgriZone” mostrou o sucesso do setor agrícola brasileiro durante a COP30, em Belém, no Pará

Entre a umidade da Amazônia e a diplomacia internacional, a recém-encerrada COP30 serviu como um laboratório de duas realidades distintas para o agronegócio global. Do lado de fora das portas fechadas, na chamada “AgriZone”, o Brasil marcou o que observadores e jornalistas descreveram como um “golaço” de soft power, apresentando uma agricultura tropical baseada em ciência e preservação.

Foto mostra local do evento COP30
Durante a COP30 o Brasil apresentou uma agricultura baseada em ciência e preservação (Foto: Sergio Moraes)

À medida que os pavilhões são desmontados em Belém, no Pará, o saldo final aponta para uma vitória de narrativa, onde o agronegócio é um negociador de fato, produzindo com emissão de baixo carbono.

Na COP30, a ascensão da “AgriZone” e o novo discurso

Durante dez dias, a estratégia brasileira de dissociar a produção de alimentos da degradação ambiental encontrou seu palco mais eficaz. Longe da postura defensiva de cúpulas anteriores, o setor apostou na pedagogia científica.

Imagem mostra mapa da AgriZone
Mapa da AgriZone durante a conferência (Imagem: Divulgação)

A AgriZone, ambiente de negociação da COP30, abrigou aproximadamente 400 eventos, vitrines vivas com tecnologias de baixo carbono e virtuais com soluções sustentáveis, experiências gastronômicas e culturais, imersão na floresta amazônica, que tornam a agricultura mais resiliente à mudança do clima.

A presença da Embrapa e a exposição de sistemas como a integração lavoura-pecuária-floresta e a produção de três safras anuais transformaram ceticismo em curiosidade.

Foto mostra Renata Marron durante a COP30
A jornalista Renata Marron também esteve presente na COP30 (Foto: Divulgação)

Renata Marron, jornalista que acompanhou a conferência, descreveu o ambiente como “o local mais organizável e bonito” do evento. Ela também comentou: “Pela primeira vez, em um palco mundial, vi o agro brasileiro ser aplaudido em unanimidade, nacional e internacionalmente, sem qualquer espaço para questionar o inquestionável, onde consciência, pesquisa inovação, tecnologia e dados, foram marcos e ver tudo isso fez a diferença”, disse Renata.

Ainda sobre o evento, Marcos Antonio Matos, Diretor Executivo Cecafé, também comentou. “A COP30 foi uma vitrine para Brasil assumir protagonismo global na transição verde, baixo carbono, mostrando todo o potencial que o país possui como centro de sustentabilidade e inovação e reposicionar a imagem internacional do país – referência mundial em inovação de agricultura sustentável”, disse Marcos.

Foto mostra Marcos Antonio Matos
Marcos Antonio Matos, Diretor Executivo Cecafé, disse que “A COP30 foi uma vitrine para Brasil assumir protagonismo global na transição verde” (Foto: Notícias Agrícolas)

Ele ainda completou que o café brasileiro apresenta respostas consistentes, com iniciativas bem-sucedidas de integração produtiva, uso racional de recursos, regeneração de solos, agricultura circular, Índice de Desenvolvimento Humano, balanço de carbono negativo (maior sequestro em relação as emissões totais) e parcerias estratégicas.

O gargalo da “Blue Zone”

Enquanto o agro brilhava nas demonstrações técnicas, seus representantes enfrentavam barreiras físicas e burocráticas nas esferas de decisão. Eduardo Bastos, da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), apontou uma disparidade crítica: o Ministério da Agricultura recebeu apenas 16 credenciais para a zona de negociação oficial, enquanto outras pastas obtiveram centenas.

“A minha credencial, por exemplo, veio de outro país”, revelou Bastos, ilustrando a improvisação necessária para que líderes do setor pudessem dialogar com negociadores.

Foto mostra local onde aconteceu a COP30
O rascunho dos documentos finais da COP30 apontam para a necessidade de financiamento climático (Foto: Raimundo Pacco)

Essa falta de acesso direto é preocupante diante das pautas financeiras em jogo. O rascunho dos documentos finais da COP30 apontam para a necessidade de US$ 1,3 trilhão anuais a partir de 2035 para financiamento climático. Marcelo Morandi, da Embrapa, alerta que, embora haja capital interessado em financiar a agricultura, ele virá atrelado a critérios rígidos de sustentabilidade.

A conferência trouxe ainda referências inéditas que reconhecem o papel dos povos indígenas e reforçam a agenda de igualdade de gênero nas decisões climáticas.

Sistemas Alimentares na COP31

O olhar agora se volta para a COP31. Com um formato híbrido incomum entre Turquia e Austrália, a próxima conferência terá como foco central os “Sistemas Alimentares”.

Para os especialistas ouvidos em Belém, este será o momento da verdade. O avanço obtido no Brasil — a aceitação da agricultura como ciência — precisa estar blindado, provando que o agro brasileiro sabe fazer o dever de casa no campo. O desafio até a próxima conferência será provar que está atento ao jogo político com a mesma competência.


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