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Risco socioambiental

As questões ambientais têm ocupado as atenções, não somente dos conservacionistas, mas também da comunidade financeira. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) adotou um novo tipo de risco para avaliar as entidades financeiras, o chamado risco socioambiental. Esse índice mensura a possibilidade de perdas financeiras que os bancos possam amargar devido a impactos ambientais e sociais negativos advindos de projetos ou atividades por eles apoiados. Dependendo desse risco a nota concedida em forma de financiamento pode afetar de modo relevante o desempenho econômico, social ou ambiental de um empreendimento. Geralmente, a análise desses riscos pode resultar na concessão de créditos para projetos que considerem significativamente a finalidade social e, acima de tudo, a sustentabilidade como parâmetro de retorno financeiro.

A questão socioambiental

Nesse sentido, verifica-se que o Estado, por meio de seus diversos níveis de governo, tem envidado esforços para que todo projeto traga uma contribuição tanto social como ambiental. Nesse sentido uma análise de risco mensura também o impacto financeiro do projeto para subsidiar as decisões da entidade financiadora, seja pública ou privada.

Assim, as questões ambientais devem ser obrigatoriamente consideradas para o planejamento, coordenação e execução dos objetivos de todas as instituições financeiras, bem como constituir parte integrante de seus respectivos conselhos administrativos. Quando se trata de análise de risco e seus impactos, pode-se considerar que a cabe às auditorias internas a responsabilidade de auferir os riscos socioambientais para que os conselhos de administração tenham as informações adequadas para tomar a melhor decisão. Em outras palavras, as questões ambientais devem ser uma parte obrigatória para o planejamento, coordenação e execução dos controles para o cumprimento dos objetivos nas referidas instituições.

Risco socioambiental
Algumas ações podem causar danos ambientais que impactam diretamente nas demonstrações financeiras

Gestão de riscos

Outros aspectos a serem considerados são: danos ambientais (que impactam diretamente nas demonstrações financeiras e o orçamento); as possíveis taxas de perdas dos projetos financiados (com efeitos sobre a liquidez); o risco legal (devido a um eventual conflito com a legislação); padrões, políticas e procedimentos (que podem levar a sanções, com reflexos imediatos na reputação corporativa). Esses fatores podem refletir não apenas resultados econômicos, mas também o prestígio corporativo.

Caso muito elevado, o risco de crédito pode acarretar uma redução significativa no valor dos ativos, com sérios impactos econômicos. Por isso, a gestão de riscos deve constituir uma política de desenvolvimento obrigatória para garantir a sustentabilidade, a segurança territorial, a melhora da qualidade de vida das populações, bem como mitigar eventos que afetem negativamente o meio social.

O risco socioambiental deve-se juntar aos demais princípios e valores rezados por qualquer organização envolvida com meio ambiente. Por isso foi bastante apropriado sua inclusão nos regulamentos bancários e instituições financeiras.

Devemos sempre ter em mente que os impactos ambientais e sociais, sejam positivos ou negativos, podem ser traduzidos com base também em variáveis econômicas e financeiras. Esses pontos podem e devem constar em qualquer projeto que considere elementos de sustentabilidade.

Murilo Damato, fala neste artigo sobre o risco socioambiental
murilo.damato@uol.com.br
Biólogo e Mestre em Ecologia pelo Instituto de Biociências da USP. Doutor em Engenharia Hidráulica Sanitária pela Escola Politécnica da USP. Membro do programa de MBA em Tecnologias Ambientais da Escola Politécnica da USP. Ex-professor da Escola de Engenharia Mauá e professor da Faculdade de Economia e Administração da PUC/SP. Atualmente cumpre mandato de conselheiro no Conselho Federal de Biologia.

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A Ecooar Biodiversidade acredita em um mundo melhor! E por acreditar tanto nisso, nossa equipe atua apaixonadamente para proteger, preservar e recuperar a natureza. Trabalhamos com projetos de reflorestamento que agem na recomposição de Áreas de Preservação Permanente (APP) na Mata Atlântica e demais biomas. A formação de florestas retém CO2 da atmosfera, o que resulta na captura de Gases de Efeito Estufa (GEE) e regeneração do meio ambiente.

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