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Foto mostra árvores com um lago

Minimalismo e felicidade

É possível viver com menos e ser feliz? O minimalismo pode ser a resposta.


*Eugênia Pickina


Uma vida minimalista pode parecer um sacrifício, mas, na realidade, o consumismo desenfreado, a pressão social de nos compararmos continuamente com os demais, assim como a busca da autorrealização através do material, têm nos levado a insistir em um devaneio de fundo que só produz ansiedade, frustração, infelicidade e… danos ambientais.

Mas o que é o minimalismo?

O minimalismo é um conceito que se origina da arquitetura e do interiorismo nos Estados Unidos e cujo axioma central – “menos é mais” – pode ser aplicado à nossa vida cotidiana. Ou seja, a filosofia por detrás dessa corrente procura impedir que a acumulação de coisas nos roube tempo, criatividade, dinheiro e, em consequência, a possibilidade de criar uma vida mais significativa – que é uma das vias para a conquista da felicidade.

Foto mostra vários cd´s e objetos, diferentes modo de vida do minimalismo
A acumulação de coisas nos rouba tempo, criatividade e dinheiro

Hoje, o tempo que nos é dado é um bem muito valioso, e, por isso, de maneira  incoerente, é bastante tempo que desperdiçamos comprando, acumulando/limpando coisas. Tempo mal gasto e que produz estresse, angústia, cansaço, e que poderia ser investido em coisas muito mais criativas, significativas, como se dedicar a um voluntariado ou aprender coisas novas, por exemplo.

O minimalismo aplicado à nossa rotina é um estilo de vida que procura eleger uma vida mais simples, afastando-nos da pressão do consumismo e da ‘corrida de ratos’. Trata-se, portanto, de simplificar nossa vida para desfrutar tanto do que possuímos como dos pequenos prazeres do dia a dia.

Cada pessoa tem seu próprio minimalismo

Muita gente pensa que adotar o minimalismo supõe viver como um monge ou levar uma vida espartana. Evidentemente, falar de praticar o minimalismo não altera  a atenção às necessidades básicas – alimentação, vestuário, educação, saúde, lazer – mas, de modo geral, um minimalista desenvolve o hábito de diferenciar  o que quer do que precisa e assim eliminar de uma vez por todas a desordem ou, por exemplo, as atividades que realiza por inércia ou comodismo. Além disso, cada pessoa terá seu próprio minimalismo, à medida que o que é importante para alguns é irrelevante para outros.

Foto mostra duas pessoas sentadas em frente a um lago, com um cachorro sobre o banco, tirada em Essex, Connecticut, EUA
Um estilo de vida minimalista anda de mãos dadas com a responsabilidade ambiental

Alguém esses dias afirmou que indagar sobre o minimalismo gera diversas respostas. Mas, sem dúvida, o minimalismo promove um mundo sustentável, pois combate o consumo exacerbado, varre a ideia equivocada de que a felicidade radica nos bens materiais. O estilo de vida minimalista anda de mãos dadas com a responsabilidade ambiental – e viver com menos coisas certamente é bom para o planeta. Ou seja, o minimalismo reorienta, e de maneira positiva, os aspectos da sociedade, da cultura, da economia e da natureza, e que são interdependentes.

‘Ativos não materiais’

Aquele que se anima em praticar o minimalismo, inseri-lo no seu cotidiano, descobre que é algo que gradativamente se torna natural e que gera grandes benefícios, passa a reconhecer que o que sustenta a alegria diária são, na realidade, ‘ativos não materiais’: contato com o mundo natural, boas relações, ser criativo, ter senso de pertencimento e comunidade, estar ativamente envolvido na vida…

Foto mostra flor de ipê em meio a folhas secas
Estar sempre atento a experiências novas, passa também por prestar atenção a natureza

Por fim, com a prática minimalista conseguiremos abrir espaço para que experiências novas e enriquecedoras entrem em nossas vidas. Com sabedoria, o naturalista e poeta Henry David Thoreau há tempos avisou: “um homem é rico em proporção às coisas que pode dispensar”.

Notinhas

O minimalismo surge em fins da década de 60 em New York, mas suas origens estão associadas à Europa, nas primeiras ideias do arquiteto alemão Ludwig Mies Van Der Rohe, um dos arquitetos mais importantes do século XX. No decorrer de sua trajetória profissional Van Der Rohe se esforçou para conseguir uma arquitetura de caráter universal e de linguagem simples, através do emprego dos materiais e das estruturas lineares. Sua influência pode ser resumida em uma frase de sua autoria e que se converteu no lema da arquitetura de vanguarda da primeira metade do século XX: “Menos é mais”.

Vivemos em um mundo em que o consumir sempre mais é a regra da sociedade. De modo distinto, as pessoas minimalistas vivem mais o ser e não o ter. Elas escolhem valorizar mais o presente e alinham seus objetivos à uma cultura da eficiência – escolhas inteligentes para uma vida mais rica/mais significativa.

Unclutering

Os minimalistas empenham-se em combater o consumo desenfreado, inconsciente, que cada vez mais leva as pessoas ao endividamento. O foco está orientado para os reais interesses, realização pessoal e autonomia. Além disso, quando eliminamos a desordem de nossa vida (aquilo que a cultura anglo-saxã denomina de “Unclutering”) conquistamos um maior equilíbrio emocional.

Os governos precisam também ser convencidos a se concentrar no desenvolvimento humano, mais do que no material e no financeiro. Buscar ressaltar o vínculo entre o bem-estar da humanidade e o do planeta é a chave para afastar nossas economias do consumo e assumir, com seriedade, a crise climática.

Cf. “Minimalism: A Documentary about the Important Things”, disponível na Netflix.


*Eugênia Pickina
Escritora e educadora ambiental. Especialista em Filosofia (UEL-PR) e mestre em Direito Político e Econômico (Mackenzie-SP).
Tem livros infantis publicados pelo Instituto Plantarum, colaborando com o despertar da consciência ambiental junto ao Jardim Botânico Plantarum (Nova Odessa-SP).
Ministra cursos e palestras sobre educação ambiental em empresas e escolas do estado de São Paulo e do Paraná, onde vive.

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