Foto mostra Melocactus

Melocactus: saiba mais sobre a Coroa-de-frade

No Brasil existem algumas dezenas de espécies e subespécies de cactos. O Melocactus é um deles.


* Breno Farias


Você já ouviu falar no Melocactus zehntneri? Provavelmente não, mas e a Coroa-de-frade? Pois bem, esse é o nome genérico dado a esses famosos cactos globosos que chamam a atenção de colecionadores, fotógrafos e entusiastas.

Foto mostra Melocactus zehntneri com um Calango sobre ele
Calango/lagartixa (Tropidurus hispidus) se alimentando do fruto da Coroa-de-frade (Melocactus zehntneri)

Durante toda a pesquisa que realizei, foram analisados mais de 100 indivíduos adultos de Melocactus, observando os mínimos detalhes, com o objetivo de trazer um conteúdo que pudesse diminuir boa parte das dúvidas sobre ele. A base da pesquisa foi realizada em uma área de cerca de 2 quilômetros quadrados na zona rural de Cabaceiras, Cariri Paraibano.

Foto mostra Cariri Paraibano
Região de Cabaceiras, Cariri Paraibano, onde o estudo foi realizado

Entenda o Melocactus

O Melocactus é um cacto com forma cilíndrica, com costelas bem acentuadas, com espinhos marrons numerosos, mas curtos e direitos, composto, de forma geral, de duas partes:

Cefálio
É a parte reprodutiva que surge na planta cerca de 10 anos depois do seu nascimento, com o surgimento dessa estrutura o crescimento do corpo cessa, porém, o cefálio continua crescendo por toda a vida da planta, atingindo até 30 cm de altura, sendo usado muitas vezes como base para estudos da idade dos Melocactus.

Foto mostra Melocactus zehntneri em destaque
A distinção do Melocactus é o Cefálio (esquerda) e o Corpo (direita)

Corpo
O corpo é fotossintetizante, formado por costelas (de 11 a 14, sendo em sua maioria 12), onde cada costela possui de 5 a 8 aréolas, e as aréolas possuem de 7 a 11 espinhos (geralmente 9 espinhos). Tem ainda um espinho central apontando para a direção contrária do corpo e o restante levemente voltados para a planta, com o epiderme variando entre cinza, verde claro e escuro.

Melocactus: cultive o seu

No Brasil existem algumas dezenas de espécies e subespécies desses cactos. Boa parte deles estão listados com algum grau de ameaça e o mais preocupante é que existem vários fatores que põem em risco a existência dessas plantas; queimadas, erosões, predação por animais domésticos e tráfico, são as principais ameaças a sua existência.

Foto mostra sementes de Melocactus zehntneri
Frutos em sua maioria na coloração rosa claro; em cada um pode existir uma grande variável na quantidade de sementes, de 10 a 95 sementes, sendo que normalmente ele possui de 40 a 60

Muita gente tem interesse em ter Melocactus em seus cactários e coleções, sendo assim as pessoas com falta de informação vão na natureza e retiram indivíduos jovens e adultos, causando forte impacto nas populações das espécies.

Foto mostra evolução do Melocactus zehntneri
Estágios de vida do Melocactus zehntneri

Uma dica que posso dar para essas pessoas é que não retirem as plantas do local onde elas nasceram. Se quiser ter uma Coroa de frade em casa pegue um fruto e germine as sementes, é bem mais emocionante poder acompanhar o crescimento da planta, que inclusive leva um pouco mais de tempo, mas com isso você pode aprender a esperar, ter paciência e curtir o processo, pois sempre podemos aprender com a natureza e tirar algo de bom para toda a vida.

Foto mostra cacto
Melocactus zehntneri em crescimento

Ajudando a fauna e flora

Esses Cactos são de extrema importância para as regiões onde ocorrem, pois em sua maioria são de ambientes semiáridos. Na região Nordeste, onde o Bioma predominante é a Caatinga por exemplo, em média ocorre 6 meses de estiagem.

Foto mostra Coroa-de-frade em erosão
Uma das principais ameaças para o desenvolvimento da Coroa-de-frade é a erosão

Nesse período a escassez de alimento obriga os animais vasculhar todos os lugares, é aí que as Coroas-de-frade entram na história. Elas florescem bem no período seco, suas flores fornecem néctar para borboletas, abelhas nativas e um vasto número de outros insetos, estes por sua vez vão servir de alimento para aves e répteis por exemplo que estão também sofrendo com a seca. É incrível toda a ligação que tem a fauna e flora, não é mesmo?

Foto mostra Besourinho-de-bico-vermelho
Macho da espécie Besourinho-de-bico-vermelho (Chlorostilbon lucidus) visitando a floração da Coroa-de-frade (Melocactus zehntneri)

Melocactus em flor

Ainda tem mais, depois de fecundada, onde tinha flores agora pode ser encontrado o fruto, uma pequena cápsula em sua maioria de cor rosa (podendo variar a tonalidade de acordo com a espécie de Melocactus) que servirá diretamente de alimento para aves, mamíferos e répteis.

Foto mostra flor de cacto
Detalhe da flor, que na sua maioria possui tonalidade rosa vivo

Estes por sua vez ao ingerir os frutos, ajudam na dispersão das sementes, contribuindo para o nascimento de mais Coroa-de-frade na natureza e também aumentando até mesmo suas distribuições geográficas.

Foto mostra Breno Farias em campo
Breno Farias em campo, analisando as informações das interações ecológicas e dos detalhes de Melocactus

Tudo isso são coisas que aprendi pesquisando e estudando sobre o Bioma em que vivo, mas principalmente pude aprender muito com observações em campo, onde meu lado naturalista fluía quase que espontaneamente.


Saiba mais:

Breno Farias, músico, fotógrafo de natureza, naturalista e ambientalista
Instagram


Conheça: Selo Verde Ecooar: a melhor solução!


Gostou desse conteúdo? Deixe seu comentário, dúvida ou sugestão.

Facebook Comments Box

ecooar

A Ecooar Biodiversidade acredita em um mundo melhor! E por acreditar tanto nisso, nossa equipe atua apaixonadamente para proteger, preservar e recuperar a natureza. Trabalhamos com projetos de reflorestamento que agem na recomposição de Áreas de Preservação Permanente (APP) na Mata Atlântica e demais biomas. A formação de florestas retém CO2 da atmosfera, o que resulta na captura de Gases de Efeito Estufa (GEE) e regeneração do meio ambiente.

One thought to “Melocactus: saiba mais sobre a Coroa-de-frade”

  1. Parabéns Breno! O texto, as fotos e o video estão maravilhosos! Vc discorre sobre a importância ecológica dessa espécie, demonstrando o quanto é importante preservá-la e até nos ensina também a propagá-la! Parabéns a Eccoar pela publicação e toda a assessoria!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *