Foto mostra Instituto Muhda

Mandala Tintorial: Instituto Muhda é premiado

A Fundação Banco do Brasil premiou o projeto Mandala Tintorial, do Instituto Muhda

O Instituto Muhda, uma associação civil sem fins lucrativos com sede em Florianópolis/SC, dedica-se a promover a autonomia através da resiliência e da determinação. Com uma visão compartilhada e um trabalho colaborativo, o instituto se empenha em transformar sonhos em realidade, atuando em diversas frentes para fortalecer comunidades e fomentar a justiça socioambiental.

Como Diretor Executivo do Instituo Muhda, Rodrigo Reis conta com mais de vinte colaboradores para ativar as várias demandas do instituto, além de muitos outros representantes que auxiliam na manutenção das iniciativas (conheça todos aqui). Estão na pauta do instituto diretrizes como saúde, educação, apoio às populações vulnerabilizadas, arte e cultura, soberania alimentar e a sustentabilidade.

Foto mostra premiação do Mandala Tintorial
Márcio Reis, Neiva Vieira e Rodrigo Reis durante a premiação (Divulgação: Instituto Muhda)

O Instituto entende que o cuidado ancestral com a terra e a inovação tecnológica são elementos que se complementam na busca pela justiça socioambiental. Esse foi um dos motivos onde a Fundação Banco do Brasil, em conjunto com parceiros, especialistas, convidados e votação popular, elegeu a iniciativa Mandala Tintorial durante a cerimônia de premiação em 21 de junho. Nessa nova fase o projeto conta com R$ 500 mil, para reaplicação das suas respectivas tecnologias sociais.

Mandala Tintorial transformando vidas

O projeto Mandala Tintorial foi desenvolvido para integrar conhecimentos tradicionais de cultivo com práticas de agroecologia, visando melhorar o acesso a alimentos e matérias-primas. Essa abordagem beneficia a saúde e a geração de renda dos Guarani M’bya.

Foto mostra continente, visto da ilha da capital Florianópolis
Instituo Muhda está presente em Florianópolis/SC, promovendo a autonomia através da resiliência e da determinação

Há dois anos em desenvolvimento, esta tecnologia já se encontra em diferentes estágios de implementação em várias comunidades catarinenses. O projeto promove o cultivo de espécies tintoriais como jenipapo, urucum, erva-mate, soja e açaí, substituindo produtos industriais por matérias-primas vegetais locais transformadas, contribuindo para a saúde da população.

Além do investimento de R$ 500 mil a ser realizado pela Fundação Banco do Brasil, como forma de reforçar seu compromisso com as causas que envolvem o projeto, o Instituto Muhda ofereceu uma contrapartida adicional de R$ 222 mil. Dessa forma, serão mobilizados os recursos totais de R$ 722 mil, com a execução prevista para ocorrer entre setembro de 2024 e dezembro de 2025.

Foto mostra reunião para o entendimento das informações para o Mandala Tintorial
Etapa de consulta das informações, que foram utilizadas na preparação do projeto (Divulgação: Instituto Muhda)

A primeira fase do projeto envolve reuniões periódicas com as comunidades a fim de estabelecer as características das mandalas, considerando as demandas específicas de cada território. Segundo Anna Viana, responsável pela Tecnologia Social Mandala Tintorial, “Em 2021, quando o Instituto Muhda iniciou projetos com as comunidades guaranis junto ao Espaço Terapêutico Flor de Hibisco, no assentamento agroecológico Justino Draszevski, ouvimos das lideranças locais que, apesar de o artesanato representar fonte de renda essencial para a sobrevivência nas aldeias, sair do território para obter matérias-primas e vender peças ainda representa uma grande exposição de perigo e risco.”

Foto mostra mulher colhendo no projeto Mandala Tintorial
O cuidado ancestral com a terra e inovação tecnológica compõe o projeto Mandala Tintorial (Divulgação: Instituto Muhda)

Nas palavras de Rodrigo, “para o Instituto Muhda, o cuidado ancestral com a terra e a inovação tecnológica não são dimensões opostas, mas complementares na promoção da justiça socioambiental. Por isso, a estratégia de implantação da Mandala Tintorial equilibra saberes milenares de plantio com técnicas da agroecologia.”

Autonomia para os povos originários

A tecnologia Mandala Tintorial é uma iniciativa inovadora que visa proporcionar um suporte estruturado para a autonomia dos povos originários Guarani M’bya no norte de Santa Catarina. Diante do cenário de grave insegurança alimentar enfrentado pela população indígena na região e da relevância do artesanato como fonte de renda para as mulheres, essa tecnologia busca oferecer uma solução integrada para várias necessidades essenciais.

Aldeias Guarani M’bya do Norte (SC)
Planejamento da Área Mandala: Aldeia Guarani M’bya do Norte (SC) (Divulgação: Instituto Muhda)

O projeto aborda de forma sistêmica quatro áreas principais:

1. Produção de Alimentos: Promove o plantio consorciado de culturas alimentares que garantem a segurança alimentar e nutricional da comunidade.

2. Preservação Artística e Cultural: Incentiva o cultivo de espécies cujas sementes são utilizadas no artesanato tradicional, preservando e valorizando a cultura Guarani M’bya.

3. Saúde: Substitui produtos industriais por alternativas naturais, utilizando plantas com propriedades medicinais e tintoriais, contribuindo para a saúde e bem-estar da população.

4. Geração de Renda: Fortalece a economia local ao introduzir espécies tintoriais que substituem corantes tóxicos por opções naturais, agregando valor ao artesanato e aos produtos locais.

Detalhes do vídeo que apresenta o projeto Mandala Tintorial
Imagens do vídeo, em que o projeto foi apresentado (Divulgação: Instituto Muhda)

Especificamente, o projeto cultiva plantas como jenipapo, urucum, erva-mate, soja e açaí, que são usadas tanto para alimentação quanto para a produção de tinturas naturais. Um exemplo notável é a introdução da folha de penicilina na aldeia Morro Alto, com mais de 120 indígenas residentes, cuja extração para uso medicinal, conhecida como “tintura medicinal de penicilina”, demonstra a aplicação prática dos conhecimentos tradicionais em harmonia com novas técnicas agroecológicas.

Ampliando ações com a Mandala Tintorial

O projeto amplia suas ações e propicia a inclusão da população local através de importantes iniciativas:

– Fortalecendo a comunidade, o turismo de base comunitária e as atividades de educação ambiental nas propriedades;

– Apoiando as comunidades indígenas na produção de alimentos, remédios e tintas;

– Beneficiando os trabalhadores rurais extrativistas em cultivos de plantas para produção agrícola.

O projeto impactará mais de 20 municípios e quase 20 mil pessoas nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, dentre as comunidades assistidas e participantes das ações de educação ambiental. Esse esforço contínuo reforça a importância de integrar saberes tradicionais e inovação tecnológica para promover a justiça socioambiental e a autonomia das comunidades.

Foto mostra Selo Verde Ecooar e projeto Mandala Tintorial
O projeto Mandala Tintorial recebeu o Selo Verde Ecooar por manter a área de floresta nativa (Arte: Instituto Muhda)

O Instituto Muhda teve o apoio da Ecooar Biodiversidade, que certificou, as emissões de CO2 geradas durante a criação e viagens de apresentação do projeto Mandala Tintorial, com a compensação de Créditos de Carbono, através de manutenção de floresta nativa. Conheça aqui a área de Mata Atlântica escolhida para a mitigação, que fica na ilha de Florianópolis.

Isso norteia o trabalho do Instituto Muhda, que busca a contribuição com a sustentabilidade e a justiça socioambiental.


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A Ecooar Biodiversidade acredita em um mundo melhor! E por acreditar tanto nisso, nossa equipe atua apaixonadamente para proteger, preservar e recuperar a natureza. Trabalhamos com projetos de reflorestamento que agem na recomposição de Áreas de Preservação Permanente (APP) na Mata Atlântica e demais biomas. A formação de florestas retém CO2 da atmosfera, o que resulta na captura de Gases de Efeito Estufa (GEE) e regeneração do meio ambiente.

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