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Foto mostra jardineiro ao fundo e jardim de lavandas em primeiro plano

Jardineiro, ofício e arte

“O jardim está no jardineiro.” G. Clément


*Eugênia Pickina


O jardineiro é um dos elementos básicos da arte nos jardins. Dotado de conhecimentos técnicos impecáveis, de uma sensibilidade humilde e profunda que lhe dá um gosto natural para tratar do vegetal com generosidade e atenção, o trabalho de um jardineiro é muito bonito e imprescindível.

Foto mostra pessoa em meio a jardim
Ser jardineiro é mais do que apenas plantar, é ter amor no manejo das plantas

Na infância, conheci jardineiros interessantes. Meu bisavô, arborista e jardineiro, ensinou à minha avó os primeiros passos da jardinagem… Ela, por sua vez, agricultora e jardineira convicta, dizia com lucidez: ser jardineiro é algo mais que plantar, regar, podar, porque demanda dedicação, muita aprendizagem, muito amor para fazer um bom manejo das plantas…  

Jardineiro e o bom jardim

Sem bons jardineiros não haveria bons jardins.

Mas o que faz um jardineiro? Um jardineiro se faz pouco a pouco. Pois ele cresce em sua arte tal qual uma nobre árvore, lenta e tranquilamente. Depois, a experiência o faz progredir por este caminho – o bom jardim – até que finalmente se converte em um jardineiro de verdade, a quem cabe a responsabilidade e a consciência de conservação…

As plantas nos curam, nos fazem sentir bem. As crianças sabem. A velhice sabe. Os jardineiros sabem. Eles trabalham com seres vivos, entendem que as plantas são alimento, medicina, a base da cadeira alimentícia dos seres vivos. Sabem que a cidade sustentável, e a única viável, deve estar acompanhada de natureza e, em consequência, expressada em jardins, parques, bosques, avenidas arborizadas…

Foto mostra rosa em um arco de ferro, cultivada por um jardineiro
O jardineiro consegue converter um jardim em refúgio da própria existência

Seu Pascoal, agricultor e jardineiro com quem tive minhas primeiras lições sobre botânica e ecologia na cidadezinha da minha infância, contou-me que o jardineiro incorpora em seu ofício os segredos da vida. E por isso ele reconhece que um jardim, diferentemente de uma edificação, nunca termina. No jardim, dia a dia, o jardineiro vai ajudando, sentindo, observando, conhecendo, decidindo, atuando… e para converter o jardim em um refúgio da própria existência – plantas, fungos, microrganismos, animais, o devir…

Não esqueço o que seu Pascoal postulava sobre sua ideia de felicidade: “eu gosto de chegar cedo, nas primeiras horinhas da manhã, e, no jardim, observar  que as plantas estão bem e alegres…” 

Ofício de jardineiro

O amor por plantas também se cultiva e então o ofício de jardineiro tem esse registro: uma profissão que sabe transmitir, através do tempo, bem-estar para os ecossistemas  e, portanto, para a própria vida.

Foto mostra jardineiro ao fundo, com jardim em Elizabeth Park Conservancy, em Connecticut nos EUA
Belos jardins, como esses em Elizabeth Park Conservancy,
ampliam a nossa relação com o reino vegetal

O jardim está no início de todas as civilizações. Tem essa conotação de retiro. Por isso o jardim é absolutamente necessário para a existência humana. E o jardineiro – “uma pessoa cujo pensamento está cheio de jardins”, segundo a definição de Rubem Alves –  é presença fundamental em qualquer época, pois é um hábil intermediário das ideias que se expressam na natureza…

O mundo, as cidades, grandes e pequenas, precisam de mais jardineiros, de homens e mulheres que coloquem em prática uma rotina laboral feita da estreita relação com o reino vegetal…

Já imaginou um mundo onde todos fossem jardineiros?

Notinhas

Cada vez mais o ofício de jardineiro tem destaque em nossa sociedade. E eles, os jardineiros, são os “guardiões” de nossas raízes, nosso ser agrícola/jardineiro. Por isso, quando adentramos um jardim temos a sensação de “chegar em casa” e nos pomos naturalmente alegres e em paz.

Um bom jardineiro hoje entende as características básicas para um bonito jardim. Ou seja, um bonito jardim tem que ser o mais autóctone possível e com espécies que precisem de um baixo consumo de água. Pouca grama, muita planta aromática, por exemplo. Os jardins têm que ser sustentáveis.

Cf. Clément, Gilles. “La Sagesse du Jardinier.” Paris: JC Béhar, 2004. 


Leia mais sobre jardins nesse outro texto de Eugênia Pickina


*Eugênia Pickina
Escritora e educadora ambiental. Especialista em Filosofia (UEL-PR) e mestre em Direito Político e Econômico (Mackenzie-SP).
Tem livros infantis publicados pelo Instituto Plantarum, colaborando com o despertar da consciência ambiental junto ao Jardim Botânico Plantarum (Nova Odessa-SP).
Ministra cursos e palestras sobre educação ambiental em empresas e escolas do estado de São Paulo e do Paraná, onde vive.

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