IA generativa pode ter metade dos projetos falhando completamente, onde locais chegam a usar cerca de 19 milhões de litros de água por dia
Um estudo recente do MIT Media Lab, denominado “The GenAI Divide: State of AI in Business 2025” (A Divisão da GenAI: Estado da IA nos Negócios 2025), revela um dado alarmante: 95% dos projetos corporativos de Inteligência Artificial Generativa não entregam retorno mensurável. Apenas 5% deles conseguem resultados positivos em áreas como logística, finanças e operações.
Apesar das organizações terem investido entre US$ 30 a 40 bilhões em IA generativa até 2025, a maioria ainda se encontra em fase experimental ou piloto — com metade dos projetos falhando completamente.
Essa falha generalizada tem repercutido no mercado financeiro: ações de gigantes como Nvidia, Palantir e SoftBank despencaram, e líderes como Mark Zuckerberg (Meta) congelaram contratações na área de IA, enquanto Sam Altman, da OpenAI, admitiu que os investidores estão “superanimados”, numa clara sinalização de possível bolha.

O mercado, que por dois anos valorizou qualquer empresa com “IA” no nome, agora exige resultados concretos, consistência e modelos de negócio comprovados—relembrando o estouro da bolha das “.com” na virada do milênio. Esse foi um evento especulativo nas ações de empresas de tecnologia e internet, que culminou em 10 de março de 2000 após um crescimento excessivo impulsionado pela euforia na década de 1990.
As causas incluíram a supervalorização de ativos, a alta dos juros e a dificuldade dessas empresas em obter lucros reais, resultando numa forte desvalorização acentuada de ações e a falência de muitas empresas.
A bolha da IA está prestes a estourar?
Segundo bancos como o Morgan Stanley, o mundo pode ver até US$ 3 trilhões de investimento em data centers nos próximos três anos, muitos financiados por dívidas crescentes, alimentando ainda mais o hype da IA. Com esse ritmo vertiginoso, a pergunta já não é mais “se”, mas “quando será o estouro da bolha da IA”.
Paralelamente aos desafios financeiros, surge uma crise ambiental crescente: os data centers que sustentam a IA consumem grandes volumes de água, ameaçando recursos cada vez mais escassos. Para se ter uma ideia dos impactos, grandes centros de dados chegam a usar aproximadamente 19 milhões de litros de água por dia, só para o resfriamento.

E as projeções indicam que, até 2027, a IA pode demandar entre 4,2 a 6,6 bilhões de metros cúbicos de água por ano—mais do que todo o consumo anual de países como a Dinamarca. Atualmente, os data centers já consomem cerca de 560 bilhões de litros de água anualmente, com essa demanda podendo dobrar até 2030.
O International Energy Agency (IEA) reforça que aproximadamente 60% do consumo de água associado a IA vem da geração de energia, e não apenas do resfriamento direto—algo frequentemente negligenciado pelas empresas.
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Comunidades sob pressão
Uma investigação do The Guardian e Source Material revelou que Amazon, Microsoft e Google estão construindo data centers em regiões já afetadas pela escassez de água, como Aragon (Espanha) e Arizona (EUA), colocando em risco comunidades agrícolas locais. Nos EUA, 40% dos data centers estão situados em regiões de extrema escassez de água, pressionando ainda mais rios e reservatórios já fragilizados pelo clima e uso urbano.

Em alguns estados americanos, como Virgínia, as autoridades exigem agora estimativas de uso de água por data center para proteger os recursos hídricos—uma resposta às preocupações públicas sobre sustentabilidade. Já no Chile, ativistas conseguiram que o data center do Google em Santiago migrasse do resfriamento por água para ar, após alertas sobre uma mega seca de 15 anos e impacto nos reservatórios locais.
Inovação como resposta?
Soluções emergem, mas nem sempre são implementadas em larga escala, como as tecnologias de resfriamento direto ao chip e imersão, que podem reduzir significativamente o consumo de água e energia.
Projetos como o WaterWise, ainda em fase de pesquisa, buscam balancear pegadas de carbono e água por meio de agendamento inteligente de tarefas em data centers distribuídos geograficamente pelo mundo.
A invenção da IA representa uma das maiores revoluções tecnológicas desde a internet — e a promessa de transformação é real. Mas os primeiros resultados mostram que se o entusiasmo não for acompanhado por estratégia, governança e propósito claro, o retorno financeiro não aparece. Ao mesmo tempo, o uso indiscriminado de infraestrutura pesada para IA coloca em risco recursos naturais vitais, como a água, especialmente em regiões vulneráveis.

O futuro desta era dependerá de nosso equilíbrio entre impulso inovador e consciência ambiental: investir com rigor, priorizar impacto real e adotar soluções sustentáveis para manter a ambição tecnológica inclusiva, viável e ética.
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