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Foto mostra três prédios vistos de baixo com o céu de fundo

Cooperativas e Sustentabilidade

Poderíamos pensar que cooperativas são sinônimos de sustentabilidade?

Cooperativismo e os meios de cooperação são antiquíssimos na história da humanidade. Desde a Pré-História, há registros de cooperação em tribos indígenas ou em antigas civilizações. O cooperativismo é uma forma de preservar a força econômica e de vida dos indivíduos de uma mesma espécie e classe, pois quando as pessoas se ajudam, produzem muito mais que a soma do que seria individualmente.

Homens e mulheres, inconformados com a sociedade em que habitavam, aspiravam organizar uma sociedade ideal, almejando o bem-estar coletivo. As primeiras cooperativas de crédito foram criadas no século XIX. Um dos primeiros cooperativistas, Robert Owen (1772 – 1858), acreditava que o homem é o resultado do seu meio social; para modificá-lo, seria necessário alterar o meio social. Já o pensamento de Charles Fourier (1772 – 1837) era de que a associação cooperativa dos operários por categoria profissional pudesse prover aos produtores condições de empréstimos e poupança de forma igualitária, além de Friedrich Wilhelm Raiffeisen (1818 – 1888) criador do modelo que inspirou a maioria das cooperativas de crédito no mundo.

Foto mostra rua de Nova York com táxis, árvores e prédios.
Estados Unidos, uma das sedes continentais da Aliança Cooperativa Internacional

Em 1895, por iniciativa de líderes cooperativistas ingleses, franceses e alemães, foi fundada a ACI – Aliança Cooperativa Internacional – cujo objetivo desse órgão é o intercâmbio entre cooperativas de diversos países. A função básica é preservar e defender os princípios cooperativistas. Sua sede está localizada em Bruxelas, na Bélgica, e se organiza através de quatro sedes continentais: América, Europa, Ásia e África.

Para se ter uma ideia da importância desse órgão, a Aliança Cooperativa Internacional foi uma das primeiras organizações não governamentais a ter uma cadeira no Conselho da ONU – Organização das Nações Unidas. Hoje, possui mais de 250 membros, espalhados por mais de 100 países e representando mais de 1 bilhão de pessoas.

Inclusão financeira

No Brasil, houve um movimento expansionista do cooperativismo financeiro a partir da década de 1990. Esse segmento vem se destacando no incremento econômico de regiões estagnadas, proporcionando inclusão financeira à parcela da população de menor poder aquisitivo, gerando emprego e renda, reduzindo a pobreza e contribuindo para o aumento da eficiência do Sistema Financeiro Nacional. Um exemplo é a Sicredi, cujas agências, precisamente 87% conforme dados de 2018, estão presentes em cidades com até 100.000 habitantes.

Foto mostra prédio da Sicred, cooperativa de crédito
Sicred: atenção e foco na sustentabilidade

Utilizando o exemplo dessa cooperativa, é possível notar que um dos seus pilares é a sustentabilidade. Inclusive, a demonstração de resultados possui o título de ‘’Relatório de Sustentabilidade’’. Vejamos alguns dados que corroboram o foco em ser sustentável: no ano de 2018, foram concedidos R$ 56,1 bilhões de crédito, sendo que R$ 10,1 bilhões estavam relacionados à Economia Verde (redução de emissões de gases do efeito estufa e a eficiência no uso de recursos naturais); foi a primeira colocada em linhas agro no ranking de desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que identifica o desempenho das instituições financeiras nas operações em que o BNDES participa indiretamente do repasse de recursos por meio de um agente financeiro credenciado; também foi a principal instituição financeira em repasses para pessoas físicas e segundo lugar nas operações para micro, pequenas e médias empresas; possui política de contratação de fornecedores em municípios com menos de 100.000 habitantes; contribuiu sendo o agente financeiro com o maior volume de operações contratadas no âmbito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e possui diversos programas sociais com a finalidade de disseminar os princípios e valores do cooperativismo. Essas e muitas outras iniciativas demonstram a atenção e o foco com a sustentabilidade.

Cooperativas pelo mundo

Economias mais maduras já o utilizam há muito tempo, como instrumento impulsionador de setores econômicos estratégicos. Os principais exemplos são encontrados na Europa, especialmente na Alemanha, que é o quinto país do mundo em expressão do cooperativismo, contando com mais de 30 milhões de clientes, dos quais 17,7 milhões são sócios dos bancos cooperativos, em um país cuja população é 82 milhões de pessoas, tem-se mais de 35% da população operando com um banco cooperativo.

Foto mostra Portão de Brandemburgo, situado na Alemanha: cooperativas lá são uma realidade
Portão de Brandemburgo: um dos símbolos da Alemanha, o quinto país em cooperativismo

A França é hoje o país do mundo em que as instituições financeiras cooperativas apresentam maior participação no mercado financeiro. O Crédit Agricole, maior banco francês, é também a maior instituição financeira cooperativa do mundo. Fundado em 1894, a partir de uma lei que criou bancos cooperativos locais, como solução para o problema de crédito dos agricultores. Daí a origem do nome Crédit Agricole, ou crédito agrícola. Durante a reconstrução da França no pós-guerra, o banco foi um importante agente de financiamento, contribuindo para o crescimento econômico do país nos anos seguintes.

Bélgica, Espanha, Holanda, Portugal também possuem fortes atuações de cooperativas no sistema financeiro, impulsionando a economia local. Merecem destaque, também, as experiências americanas, cuja primeira cooperativa foi fundada em 1909. Atualmente, o sistema cooperativista possui grande participação na economia – 93 milhões de americanos são associados. No ano de 1965, existiam no país 23.876 cooperativas, sendo que, após um forte processo de fusões e incorporações, remanesceram 6.680. No Canadá, em cada três habitantes, um é membro de uma Caixa Cooperativa de Crédito e o Japão é o terceiro país do mundo com maior expressão no cooperativismo de crédito.

Portanto podemos concluir que o cooperativismo é um movimento alternativo ao capitalismo, e que sustentabilidade e cooperativas podem ser considerados sinônimos, para o bem de todos.

Evilázio Magalhães Júnior
CEA, Certificação Especialista em Investimento ANBIMA, MBA em Gestão Empresarial pela FGV


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2 thoughts to “Cooperativas e Sustentabilidade”

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